Quilombo Ivaporunduva e PETAR – Estudo do Meio – 8º ano

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem o perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.(Guimarães Rosa, personagem Riobaldo, Grande Sertão: Veredas)

Ao longo dos últimos anos, o CSA privilegia atividades pedagógicas que envolvem experiências práticas e que exigem de nossos educandos um conjunto de habilidades mentais que regulem suas atitudes e pensamentos, a partir da concretização das ações planejadas pelos educadores. Temos, então, a realização do movimento dialético em nossa instituição: a prática nutre, reformula e enriquece a teoria e esta, por sua vez, engendra novas práticas.

Desta forma, entre 29/10 e 31/10, os alunos do 8º ano foram convidados a participar do Estudo do Meio, estruturado em dois espaços diferentes, durante três dias.

O Quilombo de Ivaporunduva está localizado no Município de Eldorado São Paulo, na SP 165, Eldorado/Iporanga, às margens do Rio Ribeira de Iguape. Composta por 80 famílias, a Comunidade de Ivaporunduva tem uma população de cerca de 500 pessoas, entre crianças, adultos e idosos.

A sobrevivência dessas famílias é conseguida com o cultivo tradicional de roça: arroz, mandioca, milho, feijão, verduras e legumes para uso próprio. Para o consumo e geração de renda produzem banana orgânica e artesanato, recebem grupos escolares para turismo, além de algumas pessoas que são funcionárias da prefeitura e aposentadas.

A visita ao quilombo, muito mais do que o acesso ao conhecimento do modo de viver de seus moradores, trabalha a reflexão sobre como as experiências vividas agem em nossas formas de perceber o outro e nós mesmos. Lidamos com as expectativas idealizadas antes da vivência e depois analisamos e sentimos o que concretamente foi vivido… ressaltamos as aprendizagens e o que mais chamou a atenção dos alunos… partilhamos saberes, sabores e afetos… despertamos nossa humanidade a partir do contato com pessoas que tanto nos ensinam, por meio de sua simplicidade e respeito às diferentes formas de existência, humana e natural.

Num segundo momento, a “sala de aula” é o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – PETAR – localizado ao sudoeste do Estado de São Paulo, quase divisa com o Paraná, na região do Vale do Ribeira, área rica em diversidade geológica e histórica, porém uma das mais carentes de nosso país em termos socioeconômicos.

Para quem vive em uma região metropolitana como São Paulo, viajar para o PETAR é uma revelação. Revelação de fatos que os livros e as aulas não trazem: a absoluta surpresa ao se deparar com a ação do tempo geológico na Terra! Trata-se de um ambiente tão novo para muitos, que mobilizar algumas funções executivas torna-se primordial para nosso cotidiano: é preciso monitorar emoções e ações, planejar o trabalho, priorizar o tempo, flexibilizar convicções em prol da equipe, analisar as situações para tomada de decisões e resolução de problemas.

O estudo do meio também proporciona a análise de determinados fenômenos que solicitam um olhar interdisciplinar para que possam ser compreendidos. Nesse sentido, disciplinas que na escola não costumam “dialogar” com frequência, nestas saídas complementam-se para dar um sentido mais profundo a tudo que é observado.

Ao retornarmos, sob a orientação da professora de Produção Informatizada, os alunos ainda terão a missão produzir um Fotolivro – tipo particular de livro de fotografia, em que as imagens predominam sobre o texto construindo uma narrativa visual.

     Andréa Gabriela, Adriana Pelegrino, Juliana Shayeb,Lilian Luchesi, Marcella Silva e Maria Rita Vieira, professoras do Ensino Fundamental