Quando queremos conhecer uma pessoa, falamos com ela perguntando pela família e sua história. Também eu, para me apresentar, não tenho outro cartão de visita que não seja a minha história de vida. Espero que possam reconhecer nesta biografia um ser humano que, graças aos misteriosos planos de Deus, hoje está com vocês.
Nasci em Soto y Amio, uma pequena vila de Leon, na Espanha. Minha mãe e avó que já faleceram me transmitiram a fé cristã desde muito cedo. Meu pai sempre foi exemplo de dedicação ao trabalho. Hoje viúvo mora sozinho no sítio. Meu irmão e minha cunhada têm duas filhas, Marina e Paula, hoje com quatro e sete anos. Costumo visitá-los no Natal.
A partir dos onze anos estudei nos agostinianos. Lá dividi brincadeiras, estudos e amizade com alguns que vocês conhecem: Tomás, Abelardo e José Angel, pois também passaram pelo Colégio Santo Agostinho. Quando terminei a formação de sacerdote e agostiniano, fui destinado à comunidade de Lisboa. Costuma-se dizer que essa primeira experiência deixa profundas marcas. Isso também aconteceu comigo, Portugal se tornou, em pouco tempo, minha pátria e os portugueses meus irmãos. Não posso deixar de compartilhar a ligação com a Virgem de Fátima e o sentimento filial que as freqüentes visitas ao santuário e a veneração do povo desenvolveram em mim. Permaneci cinco anos, até 1997 quando fui destinado ao Brasil.
Quando o Pe. Alejando, superior na época, me falou a respeito da vinda para o Brasil, percebi que era um desejo também meu. América já fazia parte da trajetória de missionários familiares e eu quase sem percebê-lo também o almejava. Dois irmãos da minha mãe e um da minha avó tinham vivido a maior parte de sua vida em São Paulo e em Buenos Aires. Com isso posso dizer como é importante a família no projeto de vida e na vocação da gente. Ninguém faz opções no abstrato, mas se espelhando em pessoas que lhe sejam próximas e significativas.
Quando cheguei aqui, fui destinado para São José do Rio Preto. Confesso que parece que foi ontem. Uma etapa de vivência intensa, muito marcada pela dedicação à educação. Estudando e convivendo no Colégio São José com professores, alunos e famílias. Os esportes, as atividades da pastoral, o projeto educativo e as reformas do prédio foram motivos para que hoje me reconheça rio-pretense e educador.
Agora posso pensar que vocês já conhecem o Pe. José Luis. Se me perguntarem o que penso da educação devolveria a pergunta. Seria uma boa maneira de continuar a conversa! Estou com vocês e para vocês, alunos, professores, funcionários e famílias, com vocês como companheiro da caminhada e para vocês como diretor a serviço do projeto educativo do nosso Colégio.
Recordando o pensamento do próprio Agostinho devemos ver nas nossas histórias, não tanto o que nós homens fazemos, mas o que Deus faz através dos homens.