Folheando as páginas dos jornais, encontramos, com frequência, empresas prestando contas, com seus ativos e passivos nas demonstrações financeiras. A presença de indicadores relativos a valor humano, como principal ativo, ainda é quase inexistente. Gente é pouco vista como ativo gerador do verdadeiro valor, até o ponto de estes indicadores serem chamados de “invisíveis ou intangíveis”.
Hoje, diferente do que aconteceu durante séculos, é mais fácil acrescentar conhecimento do que atitude ou postura, ou seja, o desenvolvimento integral é um desafio maior do que o simples aprimoramento dos conhecimentos e as técnicas, especialmente quando o produto final é um serviço e o maior valor são as pessoas. A instrução e os treinamentos voltados para o fazer ignoram o conhecimento de si mesmo, tornando-se inferiores à educação integral voltada para o ser. Treinamos para melhorar o que fazemos e como o fazemos, mas se educamos, melhoramos a pessoa, o que ela é. E quando esse serviço é educação, o maior resultado é o desenvolvimento das próprias pessoas.>
A integração necessária para dirigir, coordenar e unir um grupo que tem como objetivo educar, não se dá pelas necessidades de sobrevivência ou pelas personalidades carismáticas. O que pode mover e congregar uma comunidade educativa é a partilha de metas comuns e um mesmo ideal. Uma comunidade que além de saber fazer, sabe para quê. Não apenas o líder sabe, mas também o grupo conhece. São fiéis a si mesmos e ao projeto comum. Não criam fidelidades à chefia, mas agem sobre as identidades, gerando sentido de pertença ao seu redor. Criam uma realidade que oferece possibilidade de futuro.
Ao mesmo tempo em que trabalhamos o Projeto Educativo e a Gestão da Qualidade no Colégio, também precisamos desenvolver uma pedagogia da identidade. Quem somos para nós mesmos, para nossos alunos e para as famílias? Nós, educadores, trabalhamos com os “invisíveis” e não podemos oferecer o que não seja educação. Parafraseando a Santo Agostinho, se é à luz da verdade que se faz o verdadeiro ensino, então ninguém pode ensinar o que não acredita, ninguém pode ensinar o que não é.
Pe. José Luis Arias, OSA
Diretoria Geral
Acreditamos que o que nos move como educadores é o sentido do que fazemos e por que o fazemos. De onde vem esse sentido? Vem de dentro, é a palavra que ecoa dentro de nós e dentro do CSA, movendo a sua caminhada. Uma palavra para renovar e abastecer cada passo que é dado, pois a vocação de educador é uma vocação marcada pela tarefa de semear; tarefa do dia a dia, silenciosa grande parte do tempo: mais uma aula, mais um serviço, mais um ano... é a tarefa de semear sem ver o fruto imediato. Educar é, neste sentido, uma experiência de gratuidade e generosidade. A palavra generosidade inclui o prefixo “gen” que também encontramos nas palavras: gênero, geração, essa palavra refere-se a sermos da mesma espécie. Generosidade é a capacidade de doar o “eu” aos da mesma espécie , é a capacidade de se doar. A generosidade da vocação de educador é educar para a liberdade, educar para que se tornem livres, independentes. Para que sejam eles mesmos e não a nossa imagem, mas a imagem de quem todos somos imagem. Há um grande vazio nesta paternidade espiritual, mas esse enorme vazio é também lugar da verdadeira liberdade, onde não há “nada mais a perder”, onde o amor não tem amarras e onde se encontra a verdadeira força espiritual da vocação do educador.
Com a maior das festas da fé cristã: a Páscoa, encerramos o primeiro trimestre do ano. Um trimestre marcado por inovações no CSA. Inovações que devem ser continuidade na descontinuidade do tempo do Colégio e como todas as inovações exigem de nós esforço e confiança. Assim como a celebração da Páscoa nos convida a renovar o sentido da nossa fé, também os novos desafios são uma oportunidade para renovar o sentido da nossa presença e do nosso trabalho no CSA. Une-nos, como colégio a missão de educar e, como Sto. Agostinho, fazê-lo de forma agostiniana: com comunhão de almas e corações.
Voltando o olhar para o Mestre, lembramos que é assim com o grão de trigo enterrado que se transforma em pão e alimenta. Jesus jejua do alimento para Ele mesmo poder ser alimento e alimentar os discípulos. A doação de si mesmo que alimenta é a marca do Mestre. Pode parecer, talvez o seja, um paradoxo, mas é na medida em que nos doamos e nos entregamos que nos sentiremos livres, abastecidos e fará sentido educar. É desta generosidade que o mestre nos fala na Páscoa: “eu, que sou o Mestre e o Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. 15 Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz.16 Eu garanto a vocês: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o mensageiro é maior do que aquele que o enviou.17 Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática.”(Jn 13,13)
Feliz Páscoa de generosidade para todos os educados educadores do CSA!
Pe. José Luis Arias, OSA
Diretoria Geral
1 DESCARTES, René. As Paixões da Alma. São Paulo: Nova Cultural, 1996. P 216
Por vários motivos estes dias são especiais para nós. Primeiro esta semana é dedicada às crianças e educadores, pois comemoramos a festa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, o dia das crianças e o dia do professor. Segundo que, ao lerem esta carta, nós, os dois padres do Colégio, estaremos reunidos com os outros padres agostinianos no Recanto Tagaste, aqui em São Paulo, para celebrarmos o Capítulo Intermédio do Vicariato. O Capítulo Intermédio acontece a cada dois anos e o Capítulo Ordinário a cada quatro, assim, o próximo será em 2010. Quem tem algum tempo de Colégio já conhece esta prática. É, se me permitem a comparação, como um grande “FEAG”.
Nós, Agostinianos, somos uma Ordem Capitular, isso significa que o órgão de maior influência na vida da instituição é o Capítulo. Nossas constituições (as normas que regulam as comunidades agostinianas) dizem que no Capítulo devemos “buscar de todo coração o bem do Vicariato”. A finalidade do Capítulo Intermédio, por sua vez, é de: “prestar contas, em conselho fraterno, da execução do programa prescrito no Capítulo Ordinário” (CC 396). É um momento importante para todos, pois são tomadas decisões que nos afetam também como Colégio. Neste sentido contamos com a oração de cada um para que busquemos de todo coração, o bem do Vicariato que também será o bem do
Colégio Santo Agostinho. No Capítulo rezaremos juntos por vocês, pelo colégio e nossas famílias.
A comemoração da semana da criança nos recorda que as crianças, não só devem receber bens, como se sentir elas mesmas os bens no Colégio e nas respectivas famílias. Pensamos em todos os alunos, em nós, como professores e educadores, e em nossas famílias. O maior bem que temos são as pessoas, somos nós mesmos e a mútua confiança de querer o bem para os outros. Em nome do nosso Colégio obrigado pela generosa vocação de educadores que nos une no mesmo ideal de “ensinar a verdade com amor”.
Pe. José Luis Arias, OSA
Diretor Geral
O Colégio escolhe a semana de 28 de agosto para Semana Cultural porque é a festa do nosso padroeiro. Com isso, queremos fortalecer nossa identidade como Colégio Sto. Agostinho e mudar o ritmo do tempo e o movimento nos espaços do Colégio. Às vezes são os mesmos conteúdos a partir de outros ângulos e pontos de vista, às vezes atividades diferentes. Santo Agostinho é sempre um referencial, mais de mil e seiscentos anos nos separam e nos unem às mesmas buscas: amar e encontrar a verdade. Conhecer mais a vida e a obra de nosso padroeiro é um potencial de transformação e crescimento para todos e, é claro, um compromisso por sermos os “Agostinhos de 2008”. O Padre Robert, Pe. Geral da Ordem, nos pergunta: temos a coragem para ser os agostinianos que nosso tempo pede e precisa? O que vocês pensam? Agostinho, através da biografia e das obras, revela uma postura pessoal, social, política e religiosa que, como agostinianos, temos a responsabilidade de partilhar e o desafio de atualizar, ainda mais porque a realidade atual tem características semelhantes à realidade que ele viveu.
O conhecimento autêntico de Santo Agostinho exige mostrar a diferença entre o Agostinho que vive na mente popular e o Agostinho real, o Agostinho do conflito, da busca... No ano passado, nesta mesma época, conversávamos sobre a importância de seguir o exemplo de Santo Agostinho. Agora proponho observar a experiência de luta e coragem deste grande convertido. Sem dúvida, um dos traços mais marcantes da sua trajetória pessoal.
Agostinho pensava que quando a pessoa não enfrenta os medos, se refugia nas coisas que acumula e nos poderes que escondem sua covardia; quando não domina a si mesmo, tenta dominar os outros e quando se exibe, é para se esconder do seu próprio vazio. Agostinho constitui a valentia e a coragem de enfrentar o medo para que tenha lugar a verdade humana, para que tenha lugar a força de Deus, para que tenha lugar a solidariedade face ao consumo, para que tenha lugar a oração e a interioridade face à dominação e ao poder.
Agostinho entendeu e praticou isso e, por esse motivo, não teve medo de ser quem foi e de assumir sua vocação segundo a realidade do seu tempo. “Deus, -dizia ele - não manda coisas impossíveis, sem que ao mandar te aconselhe que faças o que puderes e peças o que não puderes” (De nat. Et grat. 43,50).
Pe. José Luis Arias, OSA
Agosto de 2008
É tempo de Páscoa!
Na semana que passou antecipamos nossa comemoração da Páscoa com a parada no trabalho, nos voltamos às nossas famílias, ficamos em nossas casas, houve aqueles que participaram das celebrações religiosas e foram testemunhas dos dias do ano com maior significado religioso, para os cristãos: o tempo que “fortalece nossa fé com uma grande esperança” (Sto. Agostinho).
Quando Jesus na Ceia se dá a todos, explica-nos o sentido da sua vida, repartindo pão e lavando os pés dos apóstolos. Jesus nos prepara para compreender os mistérios do amor, porque “não há maior amor que dar a vida pelos amigos” (Jo,15).
A verdadeira Páscoa acontece com plenitude na Cruz e na Ressurreição, na entrega por amor do corpo e do sangue, ou seja, da própria vida e na resposta do Pai ressuscitando-o.
Jesus já entregava a vida na convivência, pelas ruas e estradas da Galiléia, com os discípulos, com os leprosos, denunciando a injustiça, vivendo livre e fazendo a vontade de Deus seu Pai. Toda essa vida se concentra neste gesto final: livre e por amor, Jesus nos ama até a morte e uma morte em cruz. O amor até a doação de si mesmo. “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15). Mesmo assim, Jesus pergunta pelo sentido dos gestos que acaba de fazer. “Compreendeis o que acabo de fazer?”(Jo 13,14)
Agora é Páscoa e sei que vale a pena não desistir, não me omitir, arriscar e acreditar que a verdade, o trabalho, a perseverança tem a última palavra, a Palavra de Deus meu Pai.
Agora é tempo de Páscoa, pois compreendi o que Jesus fez e fiz com Ele a “passagem” da omissão para a ação, do silêncio para a palavra, e da morte para a vida, então esta semana é realmente, feliz Páscoa de Ressurreição!
Março de 2008
Pe. José Luis Arias, OSA
Na semana do 28 de agosto, dia de Sto. Agostinho, no colégio organizamos a Semana Cultural, mudamos o ritmo do tempo e o movimento nos espaços do colégio. Às vezes são os mesmos conteúdos a partir de outros ângulos e pontos de vista. Escolhemos a semana do 28 de agosto porque é a festa do nosso padroeiro. perante o potencial transformador que este relato transporta. Trazer as Confissões de Aurélio Agostinho para a nossa vida, mais de 1600 anos depois, nesta hora de profundas mudanças, é também reaprender a olhar, a escrever e a ler a nossa própria história, aqui, agora com nossas virtudes e desvirtues;
paramos os trabalhos, ficamos com nossas famílias, em nossas casas, talvez participamos intensamente das celebrações religiosas. Foram os dias do ano com maior significado religioso para os cristãos, o tempo que “fortalece nossa fé com uma grande esperança” (Sto. Agostinho)
Na Quinta-feira Santa, quando Jesus na Ceia se dá a todos, nos explicou o sentido destes acontecimentos, repartindo pão e lavando os pés dos apóstolos. Jesus nos prepara para compreender os mistérios do amor, porque “não há maior amor que dar a vida pelos amigos” (Jo,15)
A entrega da vida, que ao longo do dia a dia já acontecia pelas ruas de Jerusalém e estradas da Galileia com os discípulos, com os leprosos, denunciando a injustiça, vivendo livre e fazendo a vontade de Deus seu Pai. Toda essa vida se concentra neste gesto final: livre e por amor, Jesus nos ama até a morte e uma morte em cruz. O amor até a doação de si mesmo. A verdadeira Eucaristia acontece com plenitude na Cruz, na entrega por amor do corpo e do sangue, ou seja, da própria vida.
Jesus pergunta pelo sentido dos gestos que acaba de fazer. “Compreendeis o que acabo de fazer?”(Jo 13,14) Jesus sabe que para ter parte com ele, para que o esforço e o sacrifício se transformem em fonte de vida, precisam ser compreendidos e vivenciados com Ele. “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15).
Agora será Páscoa se compreendi o que Jesus fez e fiz com Ele a “passagem” da omissão para a ação, do silêncio para a palavra e da ação isolada para o “todo” com sentido, da morte para a vida! Então esta semana é feliz Páscoa de Ressurreição!
Março de 2008
Pe. José Luis Arias, OSA
Neste momento em que fechamos o ano, nos preparamos para as festas de Natal, confraternizamos e as palavras de felicitação preenchem nossas conversas, decidi deixar uma mensagem escrita, marcando este momento em que não poderei ficar até o final. Visitarei meu pai e ficarei com ele nestas datas. Voltarei, se Deus quiser, dia 16 de janeiro. Assim, para me fazer um pouco presente nesta hora de encerramento, compartilho esta “Carta de Natal 2007”.
Pensando nos dizeres desta mensagem, lembrei do trecho que relata um diálogo de pai e filho em um livro. É um diálogo que aparece no romance que tenho visto passar pelas mãos de alguns de vocês “ O Caçador de Pipas”. Talvez se recordem: “quando você deixa de dizer para alguém alguma coisa que você acredita ser verdade, você está “roubando” o direito dele saber o que você pensa ou sente a seu respeito”. Claro, contrasta com a nossa compreensão, até por uma questão cultural. Mas quando refletimos a partir dela, temos de convir que faz muito sentido, ainda mais quando vivemos em grupos e trabalhamos com educação. Não é só falando que nos comunicamos e é verdade que costumamos dizer: “o silêncio fala por si só”, ou pensamos no ditado “somos donos do nosso silêncio e escravos de nossas palavras” ou até aquele conformista de “afinal, ninguém é perfeito” e vai acumulando insatisfações com reflexos inevitáveis nas relações. Sim, seja com silêncios ou com palavras precisamos dizer, precisamos escolher o momento e a forma mais coerente com o objetivo que queremos alcançar e dizê-lo sem “roubar” o direito a conhecer a verdade, mesmo que seja a “sua verdade”. O silêncio de não dizer, não faz a superação de quem não pode ver, nem há humildade em se calar para que os outros não se sintam inseguros ou inquietos quando convivem ou trabalham conosco.
Nossa comunidade educativa, formada por todos os profissionais da casa, é melhor educadora de si mesma e dos outros quando todos seus membros não se omitem, mas assumem sem desistir, expressar suas verdades.
A cada Natal Deus diz que não desiste. Ele diz sua Palavra novamente, sem nunca se cansar. Confia e assume nossa história como Palavra encarnada. “Tão grande que é na forma de Deus e tão pequena que é na forma de servo, de tal modo que nem aquela grandeza se veja diminuída por essa pequenez, nem essa pequenez oprimida por aquela grandeza!”(Sto. Agostinho Serm. 187,1) É esta fé que nos faz irmãos, e é por esta fé que nos mantemos juntos!
Pe. José Luis Arias, OSA
Natal 2007
Nesta ocasião, proponho que olhemos a vida de Santo Agostinho como uma das maneiras que Deus nos concede para buscar a própria felicidade e, como educadores, compreender melhor o que é básico no processo de uma educação humanizadora.
Consciente de não esgotar o que Santo Agostinho significa para a educação, creio que um aspecto desse significado se poderia expressar com o que ele mesmo escreveu a respeito da sua ‘busca da felicidade’, dizendo: "vale mais a forma de viver que o modo de falar". Aqui, Santo Agostinho destaca a importância dos "exemplos de outras pessoas" (Conf. X, 3) durante a sua vida. Nisso, na necessidade dos exemplos, o ser humano nunca mudará e acredito em sua importância para a educação.
Santo Agostinho marca essencialmente suas ‘buscas’ como sendo tentativas de soluções para a vida. Busca a verdade e a felicidade com perguntas e respostas tiradas do seu interior e de sua experiência vital, numa forma de dialética existencial. Conhece-te a ti mesmo é, para Santo Agostinho, seu caminho: um caminho de interioridade que, como ele mesmo disse, leva a Deus, pois é Deus o que há de mais íntimo no homem.
Todo conhecimento verdadeiramente significativo é auto-conhecimento e este advém da participação da Verdade pelo Mestre Interior[1]. Se nosso estudo e conhecimento não nos ajudam a compreender-nos, a transformar nossa vida e sermos melhores para nós mesmos e para os outros, esse conhecimento será alienante e obstáculo na busca da verdade e felicidade.
Santo Agostinho ensina que essa busca não é apenas uma maneira de buscar, mas um processo temporal, ou seja, não pode realizar-se de uma só vez, mas no ‘vir a ser’. Vir a ser pessoa, imagem de Deus Pessoa, é, na prática, uma conversão permanente. O homem se experimenta fragmentado e dividido, precisa se integrar e construir a unidade que o torne pessoa.
Então, como é a integração interior para vir a ser ”o eu que verdadeiramente se é”[2] ?
Santo Agostinho busca se compreender a partir das relações entre as três faculdades da alma pelas quais somos imagem da Trindade: a memória, a inteligência e a vontade.
Na memória ele se descobre imagem de Deus e descobre sua identidade.Na vivência do dia a dia, experimenta que a vontade não é determinada pelo conhecimento, ou seja, que conhecer não é suficiente para fazer aquilo que mais o integra, pois além de saber o que deve ser feito e como deve ser feito, é preciso vontade para fazê-lo.
A inteligência mostra à vontade o que é melhor. A vontade é a capacidade autônoma de poder escolher e vivenciar o próprio movimento em direção a um determinado fim.
Quando exercitamos as escolhas, permitimos sermos nós mesmos. Neste sentido, Paulo Freire entendia que a educação como prática “que valoriza o exercício da vontade, da decisão, da resistência da escolha”[3]é libertadora. No entanto, uma escolha equivocada pode converter-se em escravidão. A opção pelo mal, ou seja, pelo não-ser, na perspectiva de Santo Agostinho, caracterizará uma negação da essência humana, pois só se liberta quem escolhe praticar o bem.
A importância do exemplo, na experiência de Santo Agostinho, pode servir para desenvolvermos nossa presença educadora junto aos alunos nos dias de hoje.
Hoje, o aluno da Educação Básica possui uma grande quantidade de conhecimentos e boa articulação de pensamento. Apresenta, entretanto, muita dificuldade para se relacionar com o mundo e talvez até mais dificuldade para se auto-regular, se comparado com a realidade de outras épocas.
Neste sentido, com Santo Agostinho, podemos concluir que é essencial para o ser humano e responsabilidade da Educação Básica colocar os conhecimentos e conteúdos escolares a serviço do auto-conhecimento pessoal e das questões profundas que afetam as escolhas e decisões.
Que educar é um processo integrador da vontade e da inteligência. E nesta integração é importante ter consciência de que a prática do bem (a virtude) é uma decisão do amor e não tanto da inteligência. E o amor se educa pelo exemplo!
[1] O Mestre Interior em Santo Agostinho é a iluminação de Deus, sem a qual o homem não encontra a verdade nem alcança a felicidade.
[2] Ser a imagem do criador que está em potencial e precisa vir a ser.
[3] Paulo Freire; Primeira Carta 1997.
Agosto de 2007
Pe. José Luis Arias, OSA